segunda-feira, 21 de maio de 2018

O Mundo Necrófilo de Gabrielle Wittkop



Gabrielle Ménardeau nasceu em Nantes na França em 1920. O pai de Gabrielle possuía uma grande biblioteca onde ela desfrutava livremente da leitura. Aprendeu sozinha a ler aos quatro anos de idade. Logo já estava lendo os clássicos franceses: - "Assim que aprendi a ler, tive a sensação inesquecível de poder absoluto".

Naturalmente, ela começou a escrever, e seu pai liberal lhe pagou cinco francos pelo primeiro manuscrito, quando ela tinha oito anos. 
Aos 20 anos já tinha lido muita coisa, com especial predileção pelo século XVIII. Até então, a França estava em guerra e ela não publicou nada por muitos anos.
Durante a Ocupação, ela conheceu em Paris um desertor alemão que escondeu dos nazistas, Justus Wittkop, com quem acabou casando em 1966. Wittkop era homossexual, cerca de 40 anos mais velho que Gabrielle.
Com o final da Guerra, em 1946, mudou-se para a Alemanha, onde escreveu seu primeiro livro, em alemão, ETA Hoffmann em Selbstzeugnissen und Bilddokumenten ("ETA Hoffmann: Auto Revelações e documentações de imagens"), em 1966. Nesse período também escreveu diversos artigos para revistas e jornais,
De sua adolescência bissexual em diante, Gabrielle se deliciava com o excesso sexual e desenvolvia uma aversão saudável à humanidade. Ela aprendeu o arrebatamento da solidão e se opôs totalmente a qualquer tipo de "consciência social". 
- "Meu pai declarou que a escola era um lugar onde as crianças eram forçadas a conformidade antinatural pelos imbecis cujo habitat natural é a sala de aula". Ele não incentivou a filha a ser "sociável".
Essas atitudes de livre-pensamento para com a vida também foram estendidas por ela para a contemplação irônica da morte, doença e decrepitude. Assim, foi o tema de seu primeiro romance, Le Nécrophile ("O Necrófilo"), publicado em 1972.
Em alemão, ela publicou em 1985 Unsere Kleidung ("Nossas Roupas"), uma história fetichista da moda europeia que nunca foi traduzida.
Um de seus melhores romances, La Mort de C. , foi publicado em 1975, a história da morte de um turista homossexual inglês, Christopher, nos bordéis de Bombaim, uma cidade que fascinava Wittkop.
Outra cidade que conheceu bem através de pinturas e literatura e muitas visitas foi Veneza, e seu livro sobre as loucuras macabras do século XVIII em torno de seus lagos é Sérénissime Assassinatuma gloriosa evocação de desvios sexuais imorais arrebatadores e envenenamentos inventivos, publicados em 2001.
No final de sua vida, Justus Wittkop desenvolveu a doença de Parkinson, e ela tratou com simpatia sua decisão de acabar com a própria vida de uma maneira digna:
 - “Ele falou comigo sobre isso, e eu disse a ele: Sim, você deveria fazer isso! Eu tive que sair de casa no dia seguinte a negócios, e sabia o que iria encontrar quando voltasse para casa à noite. Ele não queria uma vida em uma cadeira de rodas. Seu querido amigo Ulrich estava com ele e me disse: "Sua mão não tremeu quando ele bebeu o veneno...  Espero poder fazer o mesmo um dia."
Era um sentimento que Gabrielle Wittkop preservou em sua própria maneira discreta de deixar esta vida, com seus verdadeiros sentimentos pela resolução de suas paixões necrófilas ao longo da vida.
Na cidade de Frankfurt, Alemanha, em 22 de dezembro de 2002, Gabrielle aos 82 anos, escolheu o suicídio como forma de morte.

Você encontra o exemplar em Francês de Sérénissime Assassinat nas nossas lojas ou no site ilhadasletras.com.br

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Mangás - Slam Dunk





Você sabe o que é “mangá”? 

Este nome foi dado às histórias em quadrinhos de origem japonesa. A palavra manifestou-se da junção de duas outras palavras: “man” que significa “involuntário” e “”, que significa “desenho” ou “imagem”. Portanto, literalmente: desenhos involuntários. 

Em 1814 o pintor Katsushika Hokusai lançou o primeiro encadernado contendo uma seleção de desenhos em sequência. A série, que teve 15 volumes, foi batizada de “Hokusai Mangá”. A partir daí os quadrinhos japoneses passaram a ser chamados de “mangás”, no entanto, essa denominação seria consolidada somente no Japão pós- Segunda Guerra, já nos anos 1950, com as obras de Osamu Tezuka.

Os mangás são famosos por seus personagens diferentes, esguios e de olhos grandes. Outra característica peculiar, é que deve ser lido de trás para frente, da direita para a esquerda. Quase sempre em preto e branco, os traços são bem diferentes das HQ’s ocidentais. 

Slam Dunk - Takehiko Inoue
 
Mergulhar numa história de um mangá é uma experiência única e pensando nisso, trouxemos uma sugestão de uma das séries mais adoradas deste gênero: o “Slam Dunk” de Takehiko Inoue. 

A história fala sobre um time de basquete da escola secundária japonesa Shōhoku. O mangá foi serializado na revista Weekly Shōnen Jump de 1990 até 1996, com os capítulos compilados em 31 volumes e publicados pela editora Shueisha. Ele foi adaptado em uma série de anime produzido pela Toei Animation que foi transmitido em todo o mundo, conquistando de muita popularidade especialmente no Japão, e vários outros países asiáticos e da Europa. 

Em 2012, Slam Dunk atingiu 120 milhões de cópias vendidas somente no Japão, se tornando um dos mangás mais vendidos da história. Inoue depois usou o basquete como tema central em dois títulos de seus mangás subsequentes: Buzzer Beate e Real. Em 2010, Inoue recebeu elogios especiais da Associação de Basquetebol do Japão por ajudar a popularizar o basquete no Japão. 

Venha na Ilha das Letras e confira todos os mangás disponíveis.

terça-feira, 24 de abril de 2018

Lya Luft


Lya Fett Luft nasceu em 1938  em Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul. Filha de descendentes germânicos aprendeu o alemão e desde cedo gostava de ler. Com onze anos decorava poemas de Goethe e Schiller. Estudou em Porto Alegre, onde se formou em Pedagogia e Letras Anglo-Germânicas pela Pontifícia Universidade Católica.

Em 1963, casou-se com Celso Pedro Luft, de quem adotou o nome. O casal teve quatro filhos. Seus primeiros poemas, escritos nessa época, foram reunidos no livro “Canções do Limiar” (1964). “Fruta Doce”, seu segundo livro de poemas, foi lançado em 1972. Entre 1970 e 1982, trabalhou como professora de Linguística na Faculdade Porto-Alegrense. Em 1975 obteve o grau de mestre em Linguística pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, e em 1978 em Literatura Brasileira pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
 
Nesse mesmo ano, lança sua primeira coletânea de contos “Matéria do Cotidiano”. Em 1980 publica seu primeiro romance “As Parceiras”. Em 1985, separada do marido passa a viver no Rio de Janeiro, com o escritor Hélio Peregrino. Em 1992, quatro anos após a morte de Hélio, Lya voltou a viver com Celso Luft, de quem ficou viúva em 1995.

Em 1996, seu livro de ensaios “O Rio do Meio” foi considerado a melhor obra de ficção do ano, recebendo o Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte. Em 2013, recebeu o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, com a obra “O Tigre na Sombra” (2012), eleita a melhor obra de ficção de 2012 na categoria romance. E também, durante sua carreira trabalhou para editores traduzindo autores de língua inglesa e alemã, entre eles, Virgínia Woolf, Herman Hesse e Thomas Mann. Lya Luft foi colunista do Correio do Povo.

Seu último livro “A Casa Inventada”, publicado em 2017, e vários outros títulos da autora, podem ser encontrado na Ilha das Letras.

terça-feira, 17 de abril de 2018

Julia Quinn


Julia Quinn, pseudônimo de Julie Pottinger, nasceu em 1970 em Nova Iorque. No seu último ano da faculdade de História da Arte (Harvard), Quinn começou seu trabalho como romancista. Quando se formou na graduação, sentiu que não sabia muito bem o que fazer com seu diploma e após isso, iniciou uma graduação de medicina pela Yale School. Durante este período - onde tentava se encaixar - foi escrevendo seus livros. Porém, cada vez mais apta para a escrita, abdicou do curso para se dedicar integralmente aos seus romances. 

O primeiro livro que escreveu foi negado por uma editora, mas isso não à fez desistir. Tanto que atualmente, seus livros batem recordes de vendas a cada lançamento, tendo vendido cerca de 10 milhões de cópias apenas nos EUA. Neste país, por exemplo, apenas a série Os Bridgertons (sua mais famosa obra) vendeu aproximadamente 3,5 milhões de exemplares. Seus livros também foram traduzidos para 26 idiomas e são normalmente lançados em séries de dois ou mais volumes. 

Julia Quinn considera-se uma feminista e dá a suas heroínas qualidades feministas que não são necessariamente atitudes aceitáveis da época que seus romances históricos são baseados. Seus livros são notadamente cheios de humor, com o diálogos afiados e espirituosos. Os romances são guiados pelos personagens e se desenvolvem sem os grandes conflitos externos que muitos romances apresentam. 

A maioria de seus livros é dedicada ao seu marido, Paul Pottinger, com o qual vive no Noroeste do Pacífico dos Estados Unidos.

Você encontra diversos livros de Julia Quinn na Ilha das Letras!


terça-feira, 10 de abril de 2018

Autores Pelo Mundo - Parte 21: ITÁLIA

Elena Ferrante é um dos maiores mistérios literários da atualidade. Este nome, é um pseudônimo de uma escritora, supostamente mulher, italiana. Cuja identidade vem sido montada com especulações.
Especula-se que seja uma tradutora. A autora concede poucas entrevistas, todas elas por escrito e intermediadas pelas suas editoras italianas. Nelas, explica que optou pelo anonimato para poder escrever com liberdade, e também para que a recepção de seus livros não seja influenciada por uma imagem pública.
Pressupõe-se, com base nas suas obras, que tenha nascido em Nápoles, uma vez que livros como a tetralogia "Série Napolitana", trazem uma descrição detalhada da cidade e de seus costumes. Através de suas obras, é possível perceber que Elena Ferrante apresenta um sólido conhecimento dos autores clássicos gregos e latinos.
Há uma certeza sobre Elena Ferrante: escreve desde 1991, ano em que publicou seu primeiro romance, L'amore molesto (Um Estranho Amor), bem recebido pela crítica. O cineasta Mário Martone leu-o e converteu-o num filme memorável. O livro “A Amiga Genial” - primeiro da série napolitana - está sendo adaptado para a TV pela HBO e você pode o encontrar na Ilha das Letras!